
Há um movimento nos bastidores da política tocantinense que exige atenção. Neste artigo, dileto leitor, peço sua máxima atenção e sem querer abusar de sua boa audiência, peço que releia. Raramente meus artigos de comentários políticos demandam deste reles escriba uma atenção redobrada, maturada e com dezenas de checagens antes de lhe ofertar, com dileção, meu comentário deste terreno que muda com a agilidade de uma nuvem.
Vejamos;
Historicamente, o Sudeste tocantinense assiste à consolidação de forças políticas de outras regiões, restando aos seus eleitores o papel de coadjuvantes na formação da Assembleia Legislativa. Mas a conjuntura atual apresenta um desenho diferente. Uma janela de oportunidade real, desenhada não por promessas de palanque, mas pela frieza do cálculo eleitoral (não encontrei outro termo e nem procurei ser mais leve, aqui cabe apenas a ternura da realidade, a ternura real, sabem os jovens mais idosos, é pouco poética, Shakespeariana talvez, em Hamlet, Macbeth e Rei Lear. Quem só romantiza política, dela nada entende). A ideia no parêntese é totalmente minha. Poderia citar outros autores, neste artigo de hoje, me bastarei nestas provocações do grande “dramaturgo” inglês.
Sem perder a construção do raciocínio, façamos uma ponte do parágrafo anterior com essa leitura política, real que a soberania da matemática apresenta e que pode ser consolidada por outra soberania suprema: O povo com seus cinco a dez segundos na frente da urna!

O foco dessa articulação recai sobre um cenário muito específico: a candidatura de André Cavalari. Do ponto de vista da ciência política, o Sudeste chega a este pleito com uma singularidade que quebra o padrão das últimas eleições. A pulverização de candidaturas (o grande fantasma que historicamente dilui a força das bases regionais) não ocorreu desta vez. A região tem agora, na prática, um único nome legitimamente local consolidado na disputa. A concentração de votos em um único “filho da terra” altera drasticamente o patamar do jogo.
Mas, para entender por que essa chance é real e palpável, é preciso destrinchar a regra do jogo. E a conta, embora pareça árida, é mais simples do que o trocadilho ruim (e pueril), com nosso chão.

A eleição proporcional para deputado estadual não funciona como uma corrida de atletismo, onde basta olhar para quem cruzou a linha de chegada em primeiro, segundo ou terceiro. A dinâmica é outra. É muito mais parecida com um campeonato de pontos corridos no futebol. Existe o desempenho individual do jogador, evidente, mas o que garante a taça, ou, neste caso, a cadeira na Assembleia, é o desempenho do time. Quando o eleitor digita o número na urna, aquele voto conta para o candidato e, simultaneamente, ajuda a encorpar a pontuação de todo o partido ou federação (que é a união de dois ou mais partidos políticos que se juntam para funcionar como uma única legenda. Ela tem abrangência nacional e o seu vínculo é duradouro, obrigando as siglas a permanecerem unidas por, no mínimo, quatro anos), que é o caso do PSDB, partido de Cavalari.
É AÍ QUE A MATEMÁTICA ELEITORAL ENTRA EM CAMPO
Primeiro, a Justiça Eleitoral calcula o chamado Quociente Eleitoral. O nome soa complexo, mas a ideia é direta: é uma linha de corte. Pega-se o total de votos válidos do estado e divide-se pelo número de vagas no parlamento. É como perguntar: quantos pontos esse time precisa fazer no campeonato para ter direito a entrar na disputa pelas cadeiras?
E há um segundo tempo nessa partida. As vagas que não são preenchidas nessa primeira divisão entram na regra das chamadas Sobras Eleitorais. Atenção para um detalhe fundamental: apesar do nome, “sobra” não é voto esquecido na gaveta. É uma nova e rigorosa rodada de cálculo feita pelo TSE, usando as médias de votação das legendas para distribuir as cadeiras restantes. É a força do partido tracionando seus candidatos mais bem posicionados.
Portanto, quando o eleitor ouve termos técnicos como Quociente, Sobras e Médias, a tradução prática cabe em uma única premissa: para fazer um deputado, é preciso combinar a viabilidade do nome com a musculatura da legenda.
E é exatamente nesta intersecção que a viabilidade do Sudeste se sustenta nesta eleição. Com a ausência de concorrência interna dividindo a base territorial e um alinhamento partidário estruturado para disputar as sobras, o cenário de André Cavalari deixa de ser apenas um projeto regional para se tornar uma equação matemática viável, e já faz mais de dez anos que em ano de eleição eu uso a frase: MATEMÁTICA NÃO MENTE! Essa frase, há mais de de dez anos, nunca deixou-me mentiroso.
Informação é poder. E os números mostram que, desta vez, a chance de o Sudeste ter voz ativa na Assembleia Legislativa não é apenas um discurso de campanha. É uma conta que fecha.
Leitores, meus caros e diletos:
O sistema proporcional não permite atalhos.
Voto pessoal importa.
Partido importa.
Federação importa.
Concentração regional importa.
E a distribuição dos votos também.
Por isso, quando se fala que determinada candidatura pode representar uma “chance” para uma região, a palavra precisa ser acompanhada de matemática.
No domingo, não haverá uma eleição separada para o Sudeste do Tocantins.
Haverá uma eleição estadual.
Mas dentro dela existe uma disputa silenciosa entre diferentes regiões para transformar população, liderança política e voto em presença efetiva entre os 24 deputados estaduais que lá nessa Assembleia Legislativa, tem decidido há vários anos, a vida de quem vive no Sudeste. Eu te pergunto: Nestes vários anos sem um representante real da região, o que mudou na sua vida?
Nós já elegemos tanta gente de outras regiões. E tudo bem. Aprendemos com os erros, vimos de perto o que não ganhamos. Sabemos, por vivência, o que significa ter voz ausente nas decisões que definem o nosso chão. Mas também sabemos (e não há aqui nenhum exercício de adivinhação) da conduta, da retidão e da trajetória de André Cavalari. Um profissional do SUS, um homem que nunca precisou de holofotes para enxergar a realidade ao seu redor e que, desde o primeiro momento, optou por furar a bolha de uma política acomodada. Estas palavras são totalmente minhas e para escrever este artigo, até esta publicação, não pedi ou consultei o personagem que ouso focar nestas linhas, escrevo com minha total liberdade, como sempre fiz. É minha aprofundada leitura do cenário, neste espaço é sempre permitido redarguir. Aqui, deixo claro, não faço crítica aos líderes que passaram; faço, e insisto, numa provocação. Aprendi que aqui no Sudeste ninguém foge de uma boa INDAGA.
Então indago, sem me esconder atrás de siglas, e acredito que os eleitores do Sudeste também, independentemente de corrente política, esquerda, direita ou “apolíticos”, evangélicos, católicos, homens, mulheres, idosos, jovens, todos vivem e conhecem a realidade de todo dia nesse chão duro. Todos sabem o que falta. Todos sentem o peso de uma região que, historicamente, assiste de longe às decisões que lhe dizem respeito. Por isso, provoco:
André Cavalari, eleito deputado estadual…
Esse moço não chega para ocupar uma cadeira. Chega para ocupar um espaço que nunca foi realmente nosso. Não chega para repetir discursos que já ouvimos. Chega para fazer o que ninguém teve pulso de fazer: transformar as decisões lá da capital que já nos condenou ao esquecimento em instrumento de presença, de força e de desenvolvimento. Não se trata de messianismo, nem de salvação milagrosa. Trata-se de capacidade, e essa, ele já demonstrou na vida pública e na privada. Trata-se de ousadia, e essa outra, ele nunca escondeu. Trata-se de um representante que não vai apenas completar uma vaga na Assembleia, vai existir para o Sudeste.
Não será uma revolução, essa palavra batida e pequena para o que precisamos. Sinceramente? André representa uma correção de rota. Um acerto de contas com a história. A chance de, finalmente, ver o Sudeste deixar de ser coadjuvante e assumir o papel que a sua gente, a sua economia e a sua voz sempre mereceram.
No domingo, meus caros, não se trata apenas de eleger um deputado. Trata-se de decidir se o Sudeste continuará sendo lembrado apenas nos discursos de quem nunca viveu aqui, ou se passará, enfim, a ser representado por quem sempre esteve aqui.
A matemática não mente. E a urna, essa sim, é soberana.
Até lá, diletos leitores, fica a provocação: o que você quer que mude, de verdade, na sua vida? A resposta, como tudo neste artigo, não está nos palanques. Está na conta que só o povo sabe fechar.
Escrito com muito estudo e respeito aos leitores,
Haja o que houver,
Kim Nunes – Colunista e comentarista político do site Tocantins Agora




