Araguaína iniciou, em julho, o funcionamento do Ambulatório Neonatal Especializado, instalado no Ambulatório Municipal de Especialidades (AME). O serviço é voltado ao acompanhamento de recém-nascidos de alto risco após a alta hospitalar, especialmente bebês prematuros, crianças que passaram por UTI Neonatal e pacientes com condições clínicas que exigem cuidado contínuo.
Segundo a Prefeitura, o ambulatório é o primeiro serviço estruturado com esse perfil na rede pública do Tocantins. A proposta é preencher uma lacuna considerada crítica na assistência materno-infantil: o acompanhamento especializado depois que o bebê deixa o hospital, fase em que prematuros e recém-nascidos vulneráveis ainda apresentam maior risco de complicações, reinternações e atraso no desenvolvimento.
O projeto foi desenvolvido pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), por meio da Rede Alinha, após cerca de um ano de planejamento técnico. A Prefeitura de Araguaína acompanhou a implantação e informou ter disponibilizado a estrutura necessária para o funcionamento do serviço.
O prefeito Wagner Rodrigues afirmou que o novo ambulatório integra a rede municipal de cuidado infantil e reforça a atuação do município na Primeira Infância.
“Onde o Município tem responsabilidade, estamos trabalhando para que o cidadão tenha acesso a acolhimento de qualidade. Hoje Araguaína é referência estadual e macrorregional no cuidado com a saúde infantil, temos o Pronto Atendimento Infantil, o Hospital Municipal, entre outros equipamentos que garantem atendimento integral e de qualidade às nossas crianças”, declarou.
A médica Elena Medrado, diretora técnica do HMA, PAI e AME, afirmou que o serviço representa um avanço no acompanhamento de bebês que precisam de atenção especializada depois da internação.
“Araguaína é o primeiro município do Estado a oferecer um serviço estruturado exclusivamente para o acompanhamento de recém-nascidos de alto risco após a alta hospitalar, o que representa um avanço importante para a qualidade da assistência neonatal e demonstra o compromisso da gestão municipal em investir na saúde das nossas crianças”, afirmou.
Quem será atendido
O ambulatório atenderá prematuros, recém-nascidos com muito baixo peso ao nascer, bebês egressos de UTIs Neonatais e crianças com condições como cardiopatias congênitas, síndromes genéticas, malformações, broncodisplasia pulmonar, asfixia perinatal, alterações neurológicas, traqueostomia, gastrostomia, dificuldades importantes de alimentação e crescimento, entre outras situações clínicas.
Além de atender pacientes de Araguaína, o serviço também poderá receber crianças referenciadas de outros municípios e de estados vizinhos, como Maranhão e Pará, conforme os fluxos de encaminhamento e regulação.
A implantação reforça o papel de Araguaína como polo de atendimento em saúde infantil na região norte do Tocantins, especialmente em casos que exigem acompanhamento após internações complexas.
Acompanhamento multidisciplinar
O Ambulatório Neonatal Especializado funcionará com uma linha de cuidado voltada ao desenvolvimento global da criança. O atendimento será coordenado por pediatra com formação em neonatologia e poderá envolver equipe multidisciplinar, conforme a necessidade de cada paciente.
Além do médico pediatra e da equipe de enfermagem, o acompanhamento poderá contar com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e neuropediatras.
Segundo Elena Medrado, cada criança será acompanhada conforme o risco clínico e as necessidades identificadas durante as consultas.
“O atendimento é individualizado conforme o risco clínico. Em cada consulta realizamos uma avaliação completa do crescimento, utilizando curvas específicas para prematuros, avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor pela idade corrigida, acompanhamento nutricional, aleitamento materno, alimentação, avaliação respiratória, desenvolvimento da sucção e deglutição, revisão de exames, atualização vacinal, suplementações e identificação precoce de qualquer alteração que necessite intervenção”, explicou.
Em geral, o acompanhamento será feito até os dois anos de idade, mas poderá ser ampliado quando houver necessidade clínica. A expectativa é que o serviço ajude a identificar precocemente problemas de saúde e desenvolvimento, reduzindo riscos de agravamento e novas internações.
Como será o encaminhamento
O acesso ao ambulatório ocorrerá por encaminhamento de recém-nascidos de risco após a alta da maternidade ou da UTI Neonatal. Também poderá haver encaminhamento pela Regulação e pela Atenção Primária, de acordo com os critérios clínicos.
Com o início das atividades, a previsão é de ampliação gradual da capacidade de atendimento, conforme a demanda e a organização da rede municipal.
A secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, afirmou que o objetivo é garantir suporte especializado às crianças mais vulneráveis e dar mais segurança às famílias.
“Estamos investindo no começo da vida, oferecendo às crianças mais vulneráveis a oportunidade de crescer com saúde, desenvolver todo o seu potencial e proporcionar mais tranquilidade e segurança às suas famílias”, afirmou.