Araguaína vive em 2026 o cenário mais grave de dengue dos últimos 14 anos. O município enfrenta a maior escalada da doença desde 2012, com números que já superam, ainda no primeiro quadrimestre do ano, os registros de períodos considerados críticos na série histórica da cidade.
O avanço dos casos coloca a cidade em estado de alerta sanitário. Até o momento, já são 6.231 notificações, sendo 2.600 confirmações da doença, além de cinco mortes registradas e outras ainda sob investigação. Os dados consolidam um quadro de forte expansão da circulação do vírus e pressionam a rede de saúde local.
Para efeito de comparação, em 2012 — até então considerado um dos anos mais críticos da série histórica — foram registrados 1.816 casos confirmados ao longo de todo o ano. Em 2026, esse número já foi superado em poucos meses, evidenciando a aceleração da transmissão e a intensidade do surto atual.
Entendendo o que esses números significam
Na prática, o crescimento simultâneo de notificações e confirmações indica que o vírus encontra condições favoráveis de circulação no ambiente urbano. A dengue não depende apenas da presença do mosquito Aedes aegypti, mas também de fatores como acúmulo de água parada, alta densidade populacional, mudanças climáticas e falhas no controle contínuo dos criadouros.
Outro dado que reforça a gravidade do cenário vem do monitoramento entomológico realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Em apenas um ciclo de análise com ovitrampas, foram identificados 5.091 ovos do mosquito Aedes aegypti, com índice médio de positividade de 44% no município — um indicador considerado elevado e que sinaliza forte presença do vetor em áreas urbanas.
Bairros concentram maior risco
O levantamento aponta ainda que a infestação não está concentrada em um único ponto da cidade, mas distribuída em diferentes regiões. Bairros como Nova Araguaína, Lago Azul 4, Araguaína Sul, Jardim dos Ipês II e III e Setor Ana Maria registraram alta presença de ovos nas armadilhas instaladas.
Em algumas dessas localidades, todas as ovitrampas apresentaram resultado positivo, o que indica circulação ativa do mosquito e maior risco de transmissão da doença.
Resposta do poder público
Diante do cenário, o município intensificou ações de enfrentamento, com ampliação de mutirões de limpeza, bloqueio de focos, visitas domiciliares e reforço na campanha de vacinação contra a dengue.
Até o momento, foram aplicadas 3.813 doses em pessoas de 15 a 59 anos. Considerando também o público de 10 a 14 anos, o total chega a 4.434 doses aplicadas. O município recebeu 15 mil doses do imunizante, distribuídas para reforço da proteção da população.
Além disso, mutirões realizados em diferentes regiões já retiraram grandes volumes de resíduos que poderiam servir de criadouros do mosquito, como pneus, garrafas, latas, plásticos e outros materiais que acumulam água.
Um cenário classificado como crítico
A Secretaria Municipal de Saúde reconhece a gravidade do momento. Para a gestão, o atual estágio exige não apenas ações do poder público, mas também participação direta da população no combate aos criadouros dentro das residências.
“Estamos enfrentando um cenário muito delicado, com números que não víamos há mais de uma década”, destacou a secretária de Saúde, Dênia Rodrigues.