Com o avanço do plantio da safra 2026/2027 no Tocantins, além das condições das lavouras, o comportamento do mercado passa a ocupar a atenção dos produtores de soja. A perspectiva de uma nova produção recorde no Brasil, somada às oscilações do dólar, às cotações internacionais e aos custos logísticos, reforça a importância do planejamento na comercialização dos grãos. De acordo com o primeiro levantamento da safra 2026/2027, divulgado em outubro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de soja está estimada em 181,6 milhões de toneladas, crescimento de 0,7% em relação à temporada anterior. A área cultivada deve alcançar 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4%. Para Guilherme Fernandes da Silva, operador de Mercado de Grãos da Mesa Comercial da Frísia Cooperativa Agroindustrial no Tocantins, a perspectiva de uma oferta elevada é um dos fatores que devem ser considerados na análise do mercado ao longo da temporada. “A projeção de uma safra acima de 180 milhões de toneladas indica uma oferta expressiva. Esse é um dos fatores que pode exercer pressão sobre as cotações, mas o mercado responde a diversas variáveis. Por isso, é importante acompanhar o cenário e avaliar as oportunidades de comercialização ao longo da safra, sempre considerando os custos e as margens de cada propriedade”, explica. Ao mesmo tempo, as projeções indicam demanda elevada pelo grão e seus derivados. A Conab estima exportações brasileiras próximas de 118 milhões de toneladas e processamento interno de 63,76 milhões de toneladas na safra 2026/2027. Esse cenário é influenciado, entre outros fatores, pela demanda internacional, especialmente da China, e pelo consumo de derivados da soja na produção de biodiesel e na alimentação animal. Formação dos preços e logística no Tocantins No mercado brasileiro, a formação dos preços da soja leva em consideração fatores como as cotações na Bolsa de Chicago, o câmbio e os prêmios de exportação. No Tocantins, a logística de escoamento também exerce influência sobre o valor líquido recebido pelo produtor. A Ferrovia Norte-Sul integra um dos principais corredores utilizados para o transporte da produção tocantinense até o Porto do Itaqui, no Maranhão. Antes de chegar à ferrovia, porém, parte dos grãos percorre trechos rodoviários entre as propriedades e os terminais ferroviários, como os localizados em Porto Nacional e Palmeirante. O custo desse transporte pode variar ao longo do ano. “O preço recebido pelo produtor tocantinense depende da combinação entre Chicago, dólar, prêmio de exportação e custos logísticos. Durante o pico da colheita, o aumento da demanda por transporte pode elevar o frete e reduzir o valor líquido recebido na propriedade. Por isso, acompanhar esses fatores é fundamental para identificar melhores momentos de negociação”, destaca Guilherme. O câmbio é outro componente relevante. Uma valorização do dólar frente ao real pode compensar parcialmente eventuais recuos das cotações internacionais no mercado doméstico. No movimento inverso, a desvalorização da moeda norte-americana pode reduzir a sustentação dos preços em reais. Planejamento para a comercialização Diante de um mercado sujeito a oscilações, a Frísia reforça que a estratégia de comercialização deve considerar os custos de produção, as necessidades financeiras e a realidade de cada propriedade. A distribuição das negociações ao longo da temporada é uma das alternativas para reduzir a concentração das decisões de venda em um único momento. No Tocantins, a Mesa Comercial de Grãos da cooperativa acompanha diariamente as condições de mercado e as cotações disponíveis para a safra atual e para as temporadas futuras, fornecendo informações aos cooperados para apoiar a tomada de decisão. “Nosso trabalho é acompanhar as oportunidades de mercado, tanto para a safra disponível quanto para a futura, buscando momentos mais favoráveis para a comercialização. A gestão de riscos e a proteção das margens são fundamentais, especialmente em períodos de maior volatilidade”, ressalta Guilherme. Com esse acompanhamento, a Frísia busca ampliar o acesso dos cooperados a informações de mercado e contribuir para decisões de comercialização alinhadas às características e às necessidades de cada propriedade. (Kiw/AI)
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