09/10/2019 às 10h07min - Atualizada em 09/10/2019 às 10h07min

Avanço evangélico no Norte explica preocupação católica em encontro de bispos

foto- folha

Se Deus é mesmo onipresente, como prega o cristianismo, o mesmo não se pode dizer de padres no Norte do Brasil. Crise para uns, oportunidade para outros: o déficit histórico dessa base clerical é peça-chave para entender por que a região é a primeira, e por ora única, a ter tantos evangélicos quanto católicos no país. 
 
São 46% do primeiro grupo contra 45% do segundo, um empate técnico entre os dois polos, aponta pesquisa nacional Datafolha feita no fim de agosto. No quadro nacional, os católicos ainda são 51%, e evangélicos, 32%.
 
O Sínodo da Amazonia, que começou no último domingo, 6, e ocorre até o final deste mês no Vaticano, discutirá brechas para adaptar a Igreja Católica à realidade amazônica.
 
Por exemplo, fica difícil marcar presença numa região de áreas remotas que chegam a passar um ano inteiro sem a visita de um padre, sem permitir presbíteros casados ou mulheres diaconisas (função que pode fazer batizados e casamentos, mas não conduzir missas, confissões e unções a enfermos). 
 
A CNBB não informou a proporção nortista, mas a escassez de clérigos é agravada pelo território de dimensões proporcionais e com a maior floresta tropical do mundo incrustada nele.
 
A capilarização da rede evangélica é crucial nesse fenômeno, e uma frase dita à revista Veja em 1997 pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa ainda a resume bem: “Onde tem Coca-Cola, Correios e Bradesco tem uma Assembleia de Deus”.
 
O fato de igrejas evangélicas não terem um comando verticalizado, como o papa na hierarquia católica.
 
A Assembleia de Deus tem uma "linguagem muito aclimatada a qualquer ambiente", afirma. "Não há um QG, é eficiente exatamente por não ser centralizada. Sob o selo da Assembleia, há movimentos autóctones, nativos quase."
 
Nos lugares mais distantes não tem Bradesco nem Coca-Cola, mas a Assembleia de Deus está lá. Fora as casas dos índios, é uma das três estruturas fixas, ao lado de uma escolinha e um posto de saúde. Os cultos são no idioma da tribo, o mebemgôkre.
 
Vale lembrar que, até os anos de 1960, o Vaticano ordenava que as missas em todo o mundo fossem em latim. Nesse sentido, é como se a Igreja Católica fosse um transatlântico incapaz de se mover rapidamente, enquanto as evangélicas são como motos aquáticas a ziguezaguearem por qualquer mar. 
(Folha)
 
 
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