05/10/2019 às 07h25min - Atualizada em 05/10/2019 às 07h25min

“Elefante branco”, que lembra uma história sangrenta, envergonha cidade do norte do Estado; mais de 2 milhões de reais jogados fora

Alberto Rocha - Alberto Rocha


Alberto Rocha
 
Um monumento caríssimo erguido para lembrar uma história  mal contada e  recheada de versões diferentes, onde tem borboletas, lobisomens e inverdades.  Trata-se do memorial da Guerrilha do Araguaia, construído com dinheiro público e entregue às traças, localizado na entrada da cidade de Xambioá, norte do Estado.
 
O memorial, que era para ser um centro de resgate da história recente do País, a Guerrilha do Araguaia, que aconteceu na década de 70, vai se acabando aos poucos ao lado da estátua do Cristo, que, de costas para o memorial, não pode fazer nada.

Em Xambioá,  a história da Guerrilha ainda assusta, e poucos moradores  se atrevem a falar sobre o assunto. Mesmo assim,  a comunidade ganha coragem e questiona o desperdício do dinheiro do povo jogado fora com o abandono da obra.

O projeto custou mais de 2 milhões de reais e começou em 2006, mas a construção do anfiteatro e do obelisco iniciou em dezembro de 2009, e concluídas em 2010.
 
O projeto, assinado pelo arquiteto Nivaldo Iamauti, inclui cinema, teatro com 250 assentos, biblioteca, museu, sala de exposições, salas para cursos e oficinas e praça de alimentação. Tudo abandonado e deteriorado pelo tempo e o descaso das autoridades responsáveis pelo monumento.
 
O interior do memorial parece morada de fantasma, tudo danificado: tablado, piso, portas, teto e assentos, além de muita sujeira e mau cheiro. Algumas peças já foram retiradas do local.  Do lado de fora, o matagal e o capim tomam conta da área.
 
No barracão de tábuas, que fica ao lado do memorial, otocantins encontrou  dois homens que  usam  o local como moradia. Dentro do casebre,  colchões velhos e latas enferrujadas. Os “inquilinos”  dizem que não aparece ninguém para pagar pela “vigilância” que fazem da área. “Quem ia pagar nós era o Zezinho do Araguaia (Michéas Gomes, um dos sobreviventes da Guerrilha), mas ele foi embora para Goiânia”, lamenta um dos homens.
 
Durante a Guerrilha,  viver ou morrer para os guerrilheiros era uma  realidade de comunhão com o sistema que defendiam- o socialismo-comunismo. Hoje, não  somente a  esperança de um regime que fracassou e que se foi, mas também  um monumento, erguido para ser grande e lembrar uma  história de luta, não resiste ao abandono, apodrece em silêncio, se acaba no tempo.
 
Guerrilha do Araguaia
 
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento de luta armada (guerrilheiro) que ocorreu na região do Araguaia (divisa entre  as cidades de Xambioá-TO, e  São Geraldo-PA), entre os anos de 1972 e 1975. Este movimento era contrário à ditadura militar implantada no Brasil, em 1964. O objetivo era derrubar o regime militar  e implantar no País o regime comunista.
 
O movimento foi liderado por militantes do partido comunista do Brasil- PCdoB, mas contou com forte participação de estudantes universitários, profissionais liberais e camponeses.
 
Foram três ofensivas militares para acabar com  a Guerrilha:  as Operações Papagaio, Sucuri e Marajoara. Só em 1975, finalmente  os militares reprimiram o movimento guerrilheiro. Resultado: 59 militantes do PCdoB morreram, além de 19 agricultores que lutavam pelos guerrilheiros. Também, cerca de 20 militares tombaram na batalha.

 
 
 
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