28/04/2022 às 08h15min - Atualizada em 28/04/2022 às 08h15min

Policial militar tocantinense se prepara para missão especial da Organização das Nações Unidas


Foto: Divulgação
 
O Tocantins vai contar com um representante na Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se do oficial da Polícia Militar do Tocantins, tenente-coronel Marcel Campelo, que foi selecionado em dezembro do ano passado, para realizar atividades militares para a manutenção e o estabelecimento da paz mundial.
 
O tenente-coronel foi aprovado na Assessment for Mission Service (AMS), tradução Avaliação para Serviço Missionário, que é um procedimento Operacional Padrão que fornece instruções e orientação para a Divisão de Polícia (DP) do Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas (DPO), com o caráter de avaliar e selecionar policiais para missões políticas especiais. “O componente policial das missões de paz da ONU fica responsável pela proteção de civis e implementação de desenvolver as políticas de segurança pública, patrulhamento preventivo, com atenção com pessoas que estão em deslocamento interno e externo”, afirma o tenente-coronel.  
 
Mais de 160 militares de inscreveram no processo, sendo 34 selecionados. Marcel Campelo é o único representante do Tocantins e, a partir de junho, vai realizar atividades militares no Sudão do Sul, um país recém-criado, localizado no continente africano, que atualmente passa por conflitos políticos e sociais. Por essa e outras questões, o país precisa de ajuda humanitária sendo pauta na ONU. “É um país criado recentemente e é muito carente de estrutura de governo, a previsão é que permanecemos por um ano lá, mas o processo de avaliação que fizemos nos habilita a ficar dois anos em missões”, afirma.
 
O processo seletivo contou com cinco fases eliminatórias (prova de língua estrangeira, prova direção, prova de tiro, entrevista oral e produção de relatório), os aprovados seguem para a fase de estágio, etapa que está sendo cumprida por Marcel Campelo no Rio de Janeiro até o dia 20 de maio. O tenente-coronel tem 18 anos dedicados à Polícia Militar, sendo aluno da primeira turma de oficiais formados no Tocantins. Atualmente com 38 anos, ele tem expectativas positivas em relação à missão. “As expectativas são as melhores possíveis, eu já venho me preparando para a missão por pelo menos três anos. Foi sempre um ideal que eu busquei, servir com o capacete azul da ONU e isso ganhou uma conotação ainda mais especial, pois o Tocantins nunca enviou ninguém para as missões, eu sendo o primeiro a ir é motivo de muito orgulho”, reforça.
 
O militar reforça que a experiência não é um ganho exclusivo para o currículo pessoal, mas sobretudo para a segurança pública do Tocantins. “A experiência que isso vai proporcionar em termo de intercâmbio de informações com militares de diferentes países, todo esse ganho eu espero reverter para melhoria e crescimento para a Polícia Militar do Tocantins”, comenta.
 
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Júlio Silva Neto, destaca que a seleção do tenente-coronel Marcel Campelo demonstra o potencial da corporação. “A nossa expectativa, quanto a esse treinamento que o Tenente-Coronel Marcel está participando, é de poder mostrar que somos uma Instituição de pessoas capacitadas para as diversas missões que nos atribuírem, como também de poder demonstrar nosso profissionalismo. Essa oportunidade não só engrandece o nome da PMTO e o do nosso Estado do Tocantins, como mostra o comprometimento das forças públicas em representar o país. Com certeza, o nosso oficial irá representar muito bem a PMTO como sendo o primeiro Policial Militar do Tocantins a participar de uma missão fora do Brasil”, destaca.
 
Sudão do Sul
 
Sendo atualmente o país mais novo do mundo, o Sudão do Sul teve sua independência decretada no ano de 2011. Antes disso, o país pertencia ao Sudão. Por conta de inúmeros conflitos internos religiosos, o Sudão acabou fortalecendo a ideia de divisão, uma vez que o islamismo dominava a parte norte do país se opondo à região sul, onde há muitos adeptos do cristianismo e religiões nativas africanas.
 
Por quase 3 décadas, o país passou por inúmeros conflitos entre as regiões norte e sul até que, por meio de votação popular, foi definida a separação do país, surgindo assim o Sudão do Sul. Por conta do histórico de guerras civis, conflitos políticos sociais e corrupção, o país, agora independente, acumulava inúmeras problemáticas, sendo a principal e mais grave a fome.
 
Apesar da independência, os conflitos internos se agravaram no Sudão do Sul em 2013, onde grupos políticos disputavam poder e a liderança no país divergiam ideias e posicionamentos ocasionando mais uma guerra civil, contribuindo ainda mais para uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Estatísticas negativas como taxa de mortalidade infantil, falta de moradia, baixa assistência médica, escassez de alimentos, analfabetismo e conflitos armados chamaram a atenção das Nações Unidas e, constantemente, militares de várias localidades do mundo são enviados ao país com o propósito de garantir os direitos humanos, proteger os civis e dar suporte a agências humanitárias. 

 
 
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