Fecomércio Tocantins pede freio à PEC do fim da escala 6x1: 'Agora não. A conta já está alta demais'

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A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Tocantins (Fecomércio-TO) entrou na mobilização nacional que pede cautela ao Congresso na análise da Proposta de Emenda à Constituição que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.

A campanha foi lançada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e reúne 34 federações e sindicatos empresariais do Sistema Comércio. Realizada neste sábado (29/08) e domingo (30), a mobilização tem como alvo os senadores e busca impedir que uma mudança estrutural nas relações de trabalho avance sem uma análise mais ampla de seus efeitos.

A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, afirma o lema da campanha.

A Fecomércio e a CNC sustentam que uma alteração constitucional rígida sobre a jornada pode elevar os custos das empresas em um momento marcado por juros altos, crédito restrito, endividamento das famílias, inadimplência empresarial e redução dos investimentos.

Segundo as entidades, os impactos podem atingir principalmente o comércio e os serviços, atividades que dependem intensamente de mão de obra e concentram grande parcela dos empregos formais do país.

Entidades alertam para preços e empregos

Na avaliação do setor empresarial, uma elevação repentina das despesas com pessoal pode ser repassada aos preços, reduzir a abertura de vagas e aumentar a informalidade. Micro e pequenas empresas seriam as mais vulneráveis, por terem menor capacidade financeira para ampliar equipes ou reorganizar escalas.

O presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac e IFPD Tocantins, Domingos Tavares, afirmou que qualquer mudança precisa considerar as diferenças entre atividades econômicas, empresas, trabalhadores e regiões do país.

Defendemos que qualquer mudança nas relações de trabalho seja construída com responsabilidade, diálogo e segurança jurídica. O comércio e os serviços são grandes geradores de emprego e renda e precisam ter condições de continuar crescendo e mantendo postos de trabalho”, declarou.

Segundo Tavares, uma decisão dessa dimensão exige análise técnica e participação conjunta de trabalhadores, empresários e poder público.

CNC defende negociação coletiva

A CNC afirma não ser contrária à discussão sobre o bem-estar dos trabalhadores, mas contesta a possibilidade de uma alteração constitucional ser aprovada sem que os impactos econômicos sejam avaliados com profundidade.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende que mudanças estruturais nas relações de trabalho não sejam conduzidas sob a pressão do calendário eleitoral.

A Confederação sustenta que a adequação das jornadas deve continuar sendo discutida nas convenções coletivas, com negociações entre trabalhadores e empregadores de acordo com as características de cada atividade.

A PEC ganhou espaço no debate nacional ao propor uma mudança no modelo de trabalho em que o empregado atua durante seis dias e descansa um. Enquanto seus defensores destacam a ampliação do descanso e a melhoria da qualidade de vida, representantes empresariais cobram estudos sobre os custos e os possíveis reflexos na manutenção dos empregos.

Com a campanha, Fecomércio-TO, CNC e demais entidades do Sistema Comércio pressionam o Senado para que a proposta não avance antes de um debate mais amplo sobre suas consequências para trabalhadores, empresas e consumidores.