Belas paisagens e o período de férias escolares são um convite para aproveitar as praias de água doce do Tocantins. No entanto, o clima de diversão deve ser acompanhado de cautela durante os banhos de rio, especialmente para evitar afogamentos, que costumam ocorrer com maior frequência nesta época do ano.
O técnico em Segurança do Trabalho do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), Marcos André Pereira, destaca que o excesso de confiança, o consumo de bebidas alcoólicas, o desconhecimento do local, os banhos em áreas profundas ou com correnteza e a falta de supervisão de crianças estão entre os principais fatores de risco.
“Nos rios Tocantins e Araguaia, existem locais onde a profundidade muda de forma repentina, além de buracos, bancos de areia e correntezas que podem surpreender até quem sabe nadar”, afirma.
O Tocantins apresenta o quinto índice mais crítico de mortes por afogamento no país, com média de 71 óbitos por ano, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa). Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 43% dos casos de afogamento envolvendo pessoas de até 14 anos ocorrem em águas naturais, como rios, represas e lagos.
Cuidados necessários
Diante desse cenário, Marcos André reforça a necessidade de cuidados redobrados. “As crianças devem permanecer sempre sob a supervisão de um adulto. É importante saber que boias de braço e brinquedos infláveis não substituem essa vigilância. Também é recomendado o uso de colete salva-vidas em embarcações ou em áreas mais profundas”, orienta.
Entre os adolescentes, o especialista chama a atenção para comportamentos de risco, como desafios entre amigos e saltos na água sem conhecimento prévio da profundidade do local.
“Saltar em rios sem conhecer a profundidade pode causar lesões graves na coluna ou traumatismos. A mensagem principal é que coragem não é assumir riscos desnecessários, mas reconhecer os próprios limites e respeitar a força da água”, destaca.
Ação rápida faz diferença
Além dos cuidados para prevenir acidentes, é importante saber como agir diante de uma situação de afogamento. A primeira medida é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros.
Pessoas sem treinamento em salvamento não devem entrar na água, pois correm o risco de se tornar outra vítima. “O mais seguro é tentar lançar um objeto que flutue, como uma boia, um galão, uma garrafa PET vazia, uma corda ou um galho, orientando a vítima a se segurar”, explica o especialista.
Em uma situação de afogamento, manter a calma também é fundamental. A pessoa deve tentar flutuar de costas, manter as vias aéreas fora da água e sinalizar por socorro levantando um dos braços.
Se estiver sendo levada pela correnteza, não deve tentar nadar diretamente contra a força da água. A recomendação é nadar em diagonal em direção à margem ou buscar um ponto com correnteza mais fraca. Caso esteja cansada, a orientação é permanecer flutuando até conseguir ajuda ou alcançar um local seguro.
Para aproveitar o período de férias com segurança, Marcos André recomenda evitar áreas profundas, travessias de rios e locais sem guarda-vidas.
“Sempre escolha pontos seguros para banho e oriente as crianças a nunca entrarem sozinhas na água”, finaliza.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada pela Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal tem como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A instituição é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da Federação.