Sem recursos federais, obra de avenida é paralisada enquanto erosão ameaça bairros de Araguaína

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Uma obra projetada para conter uma erosão não pode ficar paralisada a ponto de causar um problema ambiental ainda maior.

Essa é a situação preocupante da Avenida Senador João Ribeiro, uma das maiores e mais importantes intervenções ambientais e urbanísticas já anunciadas para Araguaína.

A avenida começará na Avenida Filadélfia, na área do antigo buracão do Detran, e seguirá margeando os córregos Baixa Funda e Tiúba em direção ao Lago Azul. Quando todas as etapas forem concluídas, o projeto deverá ter 3,6 quilômetros de extensão, duas pistas, ciclovia, calçadas, iluminação e áreas de convivência.

Mas essa obra nunca foi apenas para abrir uma nova avenida.

Ela foi projetada para conter erosões históricas, controlar a força das enxurradas, proteger imóveis e impedir que toneladas de terra continuem sendo levadas para o Lago Azul.

O próprio Município já reconheceu a dimensão do problema e apresentou a obra como uma solução para as erosões que ameaçam casas, provocam o assoreamento do lago e colocam em risco famílias que vivem nos bairros próximos.

O problema é que uma intervenção desse tamanho não pode ser iniciada, movimentar toneladas de terra, deixar encostas expostas e depois perder o ritmo.

As imagens feitas no local mostram que a erosão avançou significativamente. O que deveria representar segurança passou a provocar apreensão entre os moradores. Casas, ruas e quadras inteiras podem ser atingidas caso o processo erosivo continue crescendo.

A primeira etapa, entre a Avenida Filadélfia e a ponte do Setor Palmas, foi anunciada por R$ 32 milhões. Desse valor, R$ 25 milhões são provenientes de emenda do senador Eduardo Gomes, do PL, e R$ 7 milhões de contrapartida do Município.

A segunda etapa tem previsão de aproximadamente R$ 22 milhões, sendo R$ 15 milhões de emendas do deputado federal Tiago Dimas e da senadora Dorinha Rezende e R$ 7 milhões da prefeitura.

Contudo, os serviços estão paralisados e grande parte dos recursos federais necessários para a continuidade da obra ainda depende de liberação.

Um documento oficial do Ministério das Cidades apontou que a primeira etapa enfrentou problemas técnicos durante a execução e também foi afetada pela suspensão das emendas RP8 e RP9 determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

Na atualização feita em dezembro de 2025, apenas R$ 6,675 milhões dos recursos federais haviam sido pagos, enquanto outros R$ 17,2 milhões ainda estavam pendentes de liquidação.

A emenda foi destinada pelo senador Eduardo Gomes, que foi líder do governo Bolsonaro no Congresso e atualmente integra o PL, partido de oposição ao presidente Lula. Essa diferença política existe, mas não pode servir de obstáculo para uma obra tão importante para Araguaína.

Por isso, o Governo Federal e a Codevasf precisam explicar por que os recursos continuam pendentes, quais exigências ainda precisam ser cumpridas e quando o dinheiro será efetivamente liberado.

O que não pode acontecer é a população pagar a conta por impasses técnicos, orçamentários, administrativos ou políticos.

Cada mês de paralisação pode ampliar o dano ambiental, aumentar o risco para as famílias e encarecer ainda mais a conclusão da obra.

Um projeto tão importante não pode se transformar em uma grande emergência ambiental, urbana e financeira.

A Avenida Senador João Ribeiro não é luxo. É drenagem, proteção de moradias, recuperação ambiental, mobilidade e segurança.

Araguaína não precisa de novas promessas sobre essa obra. Precisa de contenção imediata, máquinas trabalhando, transparência sobre os recursos e uma data realista para a retomada e conclusão.

Porque obra pública só termina quando o problema da população é realmente resolvido. (AF Notícias).

 

 

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