Foto: Angelo Miguel/MEC Quando os portões fecharem no domingo, 8 de novembro, mais de 5 milhões de inscritos começam a fazer a pergunta que domina as redes nas horas seguintes à prova: quantas eu acertei? A Filadd, cursinho online pré-vestibular com mais de 3 milhões de usuários na América Latina, quer responder em meia hora. Para isso, a edtech passou os últimos meses construindo, com sua equipe de professores, uma espécie de linha de montagem do gabarito, em que a tecnologia assume quase todas as etapas, da foto do caderno à checagem das respostas, e o professor faz a validação final. A meta é publicar o gabarito extraoficial em cerca de 30 minutos, contados a partir do recebimento das provas. Em 2025, o mesmo processo levou uma hora e meia no primeiro dia do exame. No primeiro domingo do Enem, os candidatos poderão sair dos locais de prova com seus cadernos de questões a partir das 18h30. No segundo, dia 15, a retirada será permitida a partir das 18h, sempre no horário de Brasília. A Filadd prevê ter acesso aos primeiros cadernos assim que os estudantes deixarem os locais de aplicação. Leitura automática das provas Antes de qualquer resposta, existe uma etapa pouco visível: organizar a prova. O Enem é aplicado em cadernos de cores diferentes, que trazem as mesmas questões em ordens distintas, e a questão 15 de um caderno pode ser a 32 de outro. Na Filadd, essa organização passou a ser feita pela máquina. As fotos dos cadernos entram na plataforma e saem dela divididas, questão por questão, com cada item localizado em todas as versões da prova, o que a equipe chama de matching. O sistema também entende quando um mesmo texto ou gráfico serve de base para várias perguntas seguidas, os chamados testlets, que o Inep pretende levar a outras áreas do exame nesta edição. Com essa correspondência pronta, a resposta de uma questão vale automaticamente para todos os cadernos. Camadas de validação A resolução segue a lógica de uma banca com três corretores independentes. O Claude Opus 5.5, da Anthropic, o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Gemini 4 Carbon, do Google, respondem cada questão sem ver o trabalho uns dos outros, no que a Filadd chama de arquitetura de consenso multimodelo. Se os três apontam a mesma alternativa, ela já aparece no gabarito como provável, sinalizada como “em análise”. Se discordam, a questão vai para um quarto modelo, e as que continuam sem acordo seguem direto para um professor da disciplina. Revisão docente em segundos Nenhuma alternativa deixa a condição de provável sem a conferência de um professor. Para tornar essa etapa rápida, a Filadd desenvolveu com a equipe pedagógica um painel que reúne a questão e as soluções dos modelos, com o passo a passo de cada uma. Em vez de resolver cada item do zero, o professor revisa o trabalho das máquinas e aprova ou corrige a resposta em 30 segundos a um minuto por questão. “Quando diferentes modelos de inteligência artificial chegam a um resultado consistente, o professor não precisa refazer a questão do zero. Ele analisa a lógica da resolução, confere se ela responde ao que o enunciado pede e valida. Mas isso só é possível porque passamos meses desenvolvendo e testando esse sistema junto aos nossos professores. Não estamos deixando a correção nas mãos da IA, estamos usando a tecnologia para tornar o trabalho dos professores mais rápido e eficiente. É isso que nos permite sair de uma hora e meia para cerca de 30 minutos”, afirma Matheus Mattos, diretor de marketing da Filadd. Dez anos de provas como teste Para calibrar o sistema, a Filadd o colocou à prova com os exames do Enem da última década. Nesse teste, as respostas bateram em 100% com os gabaritos oficiais publicados pelo Inep. O número vale para o histórico, já que a edição de 2026 traz questões inéditas e pode ter itens anulados. Como referência de uso real, no Enem de 2025, ainda com a versão anterior da tecnologia, a inteligência artificial acertou sozinha 95% das questões e a revisão dos professores levou a precisão a 99%, segundo a empresa. Uma faixa provável de nota Além da alternativa correta, o candidato verá a explicação passo a passo de cada resolução e vídeos curtos com a correção comentada de cada questão. Depois de conferir os acertos, vem a pergunta seguinte: quanto isso vale? No Enem, a resposta não sai de uma conta simples. Pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), dois estudantes com 30 acertos podem terminar com notas diferentes, porque o método pesa a dificuldade de cada questão e desconfia de padrões incoerentes, como errar as fáceis e acertar as difíceis. Para dar uma noção desse resultado, a Filadd montou uma estimativa a partir dos microdados que o próprio Inep publica sobre as edições anteriores. O estudante registra suas respostas e recebe uma faixa de nota provável, ajustada também à dificuldade esperada das questões deste ano. A ferramenta fica disponível já no domingo, 8 de novembro. É uma projeção, e não a nota oficial, que só o Inep divulga. O interesse pelo exame cresceu. O Enem 2026 teve 5.055.818 inscrições confirmadas, segundo balanço do MEC divulgado em julho, o maior número desde 2020. As provas serão aplicadas em 8 e 15 de novembro. O gabarito da Filadd é extraoficial e não substitui o gabarito oficial, que será publicado pelo Inep. Os estudantes já podem fazer uma pré-inscrição para receber o aviso assim que as primeiras respostas forem publicadas.
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