Projeto tocantinense integrou a programação do Encontro de Culturas da Chapada, em Alto Paraíso de Goiás, com exposição, intervenção artística, Talk com o Artista e oficinas de modelagem em argila para crianças
A cerâmica tocantinense encontrou novos territórios, públicos e saberes durante a passagem do projeto “Dança do Pote” pela Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Entre os dias 11 e 15 de outubro, a iniciativa do Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts integrou a programação do Encontro de Culturas da Chapada, em Alto Paraíso de Goiás, levando uma experiência que reuniu exposição, intervenção artística, conversa com o artista e atividades de formação para crianças.
Com obras do ceramista e artista visual Wanderley Batista e produção cultural de Daniella Aires, o projeto apresentou ao público da Chapada uma pesquisa que conecta cerâmica, dança, música, território, ancestralidade e memória, tendo como uma de suas principais referências os movimentos da Suça, manifestação tradicional da cultura tocantinense.
Para a produtora cultural Daniella Aires, a experiência na Chapada confirmou um dos principais objetivos do projeto: fazer da circulação um espaço de intercâmbio, e não apenas de apresentação. “Chegamos à Chapada levando um trabalho profundamente conectado ao Tocantins e encontramos um território extremamente aberto à troca de saberes. Foi muito bonito perceber como a Dança do Pote consegue dialogar com pessoas de diferentes lugares justamente porque fala de elementos universais e, ao mesmo tempo, muito nossos: a terra, o corpo, a memória, o fazer com as mãos e os conhecimentos transmitidos entre gerações”, destaca Daniella Aires.
Cerâmica que ganha corpo e movimento
Durante a programação, a exposição apresentou peças criadas por Wanderley Batista a partir da observação das relações entre os movimentos da dança e os gestos empregados na modelagem da argila. Giros, repetições, ritmos, curvas e movimentos circulares aparecem tanto no corpo que dança quanto nas mãos que trabalham o barro. A partir dessa aproximação, o artista constrói peças que sugerem uma verdadeira coreografia em cerâmica. Na Chapada dos Veadeiros, a exposição ganhou ainda uma intervenção artística, ampliando a experiência do público e aproximando ainda mais as linguagens que deram origem à pesquisa.
Para Wanderley Batista, apresentar o trabalho em um evento voltado ao encontro entre diferentes culturas e tradições deu um significado especial à circulação. “Levar a Dança do Pote para a Chapada foi colocar o nosso barro em diálogo com muitas outras histórias. As peças carregam referências do Tocantins, da Suça, dos movimentos que observo na dança e também do próprio gesto de trabalhar a argila. Quando esse trabalho chega a outro território, ele passa a receber novos olhares e novas leituras. Isso também alimenta a criação e mostra que a arte é um caminho de ida e volta”, afirma.
Talk e Oficina
Um dos momentos da participação foi o Talk com o Artista, conduzido por Wanderley Batista. A atividade permitiu ao público conhecer o percurso de criação da exposição e compreender as referências culturais, artísticas e afetivas que atravessam o trabalho.
A passagem pela Chapada dos Veadeiros também teve uma importante dimensão formativa. O projeto realizou duas oficinas de modelagem manual em argila destinadas às crianças, proporcionando uma experiência direta de criação e contato com a cerâmica. Nas atividades, o barro deixou de ser apenas matéria presente nas obras da exposição para chegar às mãos dos participantes. A proposta valorizou a experimentação, a imaginação e a liberdade criativa, aproximando o público infantil de uma prática ancestral por meio de uma experiência lúdica.
Um percurso que começou em Palmas
A etapa realizada na Chapada dos Veadeiros dá continuidade a um percurso iniciado em Palmas, onde “Dança do Pote” realizou sua primeira temporada. Depois de Palmas e da Chapada dos Veadeiros, “Dança do Pote” segue ampliando sua trajetória de circulação. O projeto também prevê uma etapa em Natividade, no Tocantins, município cuja história e patrimônio cultural estabelecem novas possibilidades de diálogo com a proposta da exposição. A intenção é que, em cada território, o projeto ganhe novos sentidos a partir dos encontros com o público e das características culturais do lugar.
Sobre o Dança do Pote
“Dança do Pote” é uma realização do Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts, com criação e obras de Wanderley Batista e produção cultural de Daniella Aires. O projeto investiga as relações entre cerâmica, corpo e cultura popular, especialmente a partir dos movimentos da Suça, transformando em formas, curvas e volumes os gestos observados na dança e no trabalho com o barro.
Além da exposição, a proposta contempla intervenções artísticas, Talks com o Artista e oficinas de modelagem em argila, fortalecendo os eixos de produção artística, formação, preservação de referências culturais e circulação. “Dança do Pote” foi aprovado no Promic 2025 – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Palmas, com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura.
Fonte: Cinthia Abreu

